Quando considerado elemento literário estrutural, o enredo é o conjunto de todos os fatos narrados que se sucedem ao longo de uma história e as ligações destes fatos entre si, ordenados de tal modo a criar certo efeito artístico ou emocional. Os diferentes efeitos os quais o enredo venha a produzir no leitor determinam, de uma maneira ou de outra, o modo como os fatos narrados são ordenados e apresentados. Os fatos narrados de um suspense se apresentam de maneira diferente de uma aventura mítica ou ainda de uma comédia. O padrão do ordenamento destes fatos acaba por especificar o Gênero de uma obra. Outra característica do enredo é que ele é “Artisticamente Completo” ou tem “unidade de ação”, isto é, compreende uma completa e ordenada estrutura de ações orientada para causar o efeito pretendido.
De maneira geral, o enredo é construído em volta de um Conflito. Este conflito pode ser externo (entre o protagonista e elementos antagonistas no mundo ficcional) e/ou interno (entre o protagonista e suas próprias falhas de caráter, limitações, o destino, etc). É o conflito e o contraste entre os elementos conflitantes que de maneira mais eficiente guia o enredo ao seu fim. Destas duas categorias de conflito, podemos desenvolver quatro tipos básicos: o Conflito Físico (o protagonista enfrenta fisicamente o antagonista ou as forças da natureza); o Conflito Clássico (o protagonista encara as circunstâncias da sua vida ou luta contra seu “destino”); o Conflito Social (o protagonista luta contra ideias, costumes e valores do meio em que está inserido); e o Conflito Psicológico (o protagonista enfrenta suas próprias escolhas, idéias de certo e errado, suas limitações).
A estrutura do enredo não sofreu muitas modificações desde 334 a.C., quando Aristóteles, em seu tratado ‘Poética’, expôs que o enredo se divide em Começo, com a apresentação do ambiente ficcional; Meio, com o estabelecimento de um conflito e a busca por sua resolução; e Fim, com a resolução positiva ou negativa do conflito, isto é, com o protagonista tendo ou não sucesso em sua jornada ao final da narrativa.
Ao longo dos anos, vários estudiosos como Propp, Adam, Labov e Waletzky, Ricoeur, a partir de estudos próprios de lendas, mitos e narrativas, criaram vários Paradigmas Literários, isto é, modelos gerais de estrutura para o enredo da narrativa, nunca fugindo da tripartição do roteiro feita por Aristóteles, apenas desenvolvendo-a.
Entre os elementos literários, o enredo foi o que manteve sua integridade por mais tempo. Apesar da distorção temporal causada pelo uso da anacronia (primeiramente apresentada na prosa romântica) e do fluxo de consciência (a partir do Modernismo), apenas modificou-se o modo como o enredo se apresentava ao leitor. O texto não se apresentava mais necessariamente na ordem cronológica, mas manteve-se a tríade começo, meio e fim intacta. Então, podemos classificar um enredo quanto a sua apresentação ao leitor: é Linear quando é apresentado na ordem cronológica e lógica (observa-se a ordem começo-meio-fim), e Não-Linear quando o enredo e outros elementos estruturais da narrativa, como ambiente, tempo e personagens, são apresentados descontinuamente, fora da ordem lógica e cronológica (com antecipações, retrospectivas, cortes e com rupturas do tempo e do espaço em que se desenvolve as ações; o tempo cronológico mistura-se ao psicológico e o espaço exterior se mistura aos espaços interiores).
O enredo hoje
Com a fluidez do arte pós-moderna, o artista abdica de seu poder determinante sobre a criação da obra de arte e convida o leitor a participar do processo de criação e concretização da arte. A literatura passa a ser considerada uma atividade lúdica: um jogo entre o autor e o leitor em busca da construção da obra. O enredo vem perdendo sua estrutura tradicional, o que pode ser percebido mais claramente em contos, como o minimalista de Hemmingway:
“À venda: sapatos infantis, nunca usados.”
O enredo pós-moderno deixa de ser artisticamente completo, passando a carecer de uma complementação estrutural exterior ao texto, seja pelo leitor, que no ato de apreensão do texto, cria o que lhe falta, seja em outros textos, principalmente em obras do passado, uma verdadeira intertextualidade, outra característica marcante e freqüente na literatura pós-moderna.
Exercício 1 – Enredo Tradicional
Esquematize uma história usando o modelo aristotélico clássico. Sinta-se livre para brincar com a ordem como o enredo se apresenta (o fim primeiro, depois o começo, por exemplo).
Exercício 2 – Enredo Pós-Moderno
Crie um pequeno conto em três parágrafos. No primeiro, apresente os personagens e o ambiente, no segundo, desenvolva a ação, e no terceiro, conclua o conto. Depois de terminado o conto, corte o primeiro e o último parágrafo, fazendo modificações no parágrafo restante de modo que a narrativa apenas sugestione o que aconteceu antes e o que acontecerá depois.


Bem, vc estrutura sua postagem dando uma visão geral (e elucidativa) sobre o que vem a ser enredo, trama, urdidura, etc.
Bom.
Em termos acadêmicos, bastante funcional e explicativo.
Sugiro uma postagem pós-Sterne, que, a partir de então, mostra um outro caminho até chegar a Joyce – que desconstrói tudo, da paródia à linguagem erudita.
É uma sugestão.
Sempre checo o que vc escreve. Acho bom, embora discorde de algumas coisas.
Muito bom seu texto. Parabéns pelas outras postagens do blog, também ficaram ótimas.
Gostei muito do seu blog e, prometo voltar e ler com mais atenção…
bjos!
Muito interessante o seu texto
é sempre bom passar por aqui p/ pegar dicas de como melhorar a escrita :)
bjuxxxxxxx
Olá…
Boas dicas, um pouco técnicas, mas boas…
Abraços
Everaldo Ygor
http://outrasandancas.blogspot.com/
Gosto dos seus texto, estão complementando meu aprendizado na Oficina de novos escritores que estou fazendo.
Estou aqui sempre.
Amplexos
Lazuli