Um projeto de desenvolvimento literário pessoal.

Archive for Setembro 2008

Exercício da Duplicação

In Conto, Prática on 18/09/2008 at 14:54

De José Castello

O escritor argentino Ricardo Piglia costuma dizer que um conto relata sempre uma história, enquanto na verdade conta outra. A idéia é incorporada por Bernardo Carvalho em seu romance mais recente, O sol se põe em São Paulo quando, logo no início do capítulo 3, seu narrador reflete: “A literatura é o que não se vê. A literatura se engana. Enquanto os escritores escrevem, as histórias acontecem em outro lugar”.

As idéias de Piglia e de Bernardo ajudam a pensar o caráter duplicado e secreto do conto. Narrativas curtas, compactas, com grande economia de personagens e de acontecimentos, os contos costumam ser tomados, erradamente, como “ficções simples”. Como se fossem, apenas, esboços, ou reduções de romances potenciais. Este engano leva muitos leitores, e também – o que é mais grave – escritores, a desprezar o conto, ou a tratá-lo como uma aventura literária menor.

É através da aparente simplicidade que o conto, em geral, ilude, arrasta e prende o leitor. O conto é, podemos pensar grosseiramente, a arte do mínimo. Com um mínimo de recursos, de elementos, de personagens e de linhas, ele narra uma falsa pequena história para, através dela, abrir um abismo aos pés do leitor. [Continue lendo esta artigo no site o Portal Literal]

O Exercício


Escreva um conto, de no máximo 5 mil caracteres com espaços, que relate uma história enquanto outra, de modo submerso mas ainda assim visível, se desenrola simultaneamente.

Por exemplo: o conto relata os acontecimentos em um jantar formal enquanto, na cozinha, a história mais importante acontece. Mas tudo o que o leitor tem é o relato do jantar, e a segunda história, a secreta, a ele se revela só através de pequenos sinais, que dele exigem um esforço de decifração.

Outro exemplo: o conto relata uma aula de inglês. Ocorre que o narrador não está dentro da sala de aula, mas fora dela. Escondido, por exemplo, atrás da porta de entrada, ou de uma janela. Contudo, mais importante que a aula é o que acontece a esse narrador. Acontecimentos de que o leitor, no entanto, já que tem sua “visão” restrita à sala de aula, recebe apenas pequenos sinais, muitas vezes desconexos, ou mesmo contraditórios.

Fonte: Oficina de Contos do site Portal Literal

Trova

In Poesia, Teoria on 09/09/2008 at 14:03

A trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas poéticas, que tem geralmente Rimas Cruzadas (ou pelo menos uma rima entre o segundo e o quarto verso). Encontra-se, em trovas mais antigas, Rimas Interpoladas e Emparelhadas, apesar de serem pouco usadas atualmente. Começa-se a trovar sempre com letra maiúscula. A partir do segundo verso usa-se letra minúscula, a menos que a pontuação indique o início de nova frase. Além disto, a Trova dever ter um sentido completo e independente. O autor da Trova deve colocar nos quatro versos toda a sua idéia. Aí que a Trova se diferencia dos versos da Literatura de Cordel, onde em quadra ou sextilhas, o autor conta uma história que no final soma mais de cem versos. A Trova possui apenas quatro versos. Adelmar Tavares já dizia que “Nem sempre com quatro versos setissílabos, a gente consegue fazer a trova; faz quatro versos, somente”.

Nesta casa tão singela
onde mora um Trovador
é a mulher que manda nela
porém nos dois manda o amor.(Clério José Borges)

Ficou pronta a criação
sem um defeito sequer,
e atingiu a perfeição
quando Deus fez a mulher.(Eva Reis)

A trova é uma tradição iniciada por volta do século XI d.C. em Poença na França. É durante este período que as poesias passam a ser acompanhadas de músicas o que perdurou por muito tempo havendo inclusive remanescentes desta tradição em nossa famosa Literatura de Cordel muito conhecida no Nordeste brasileiro. Os repentistas realizam seus trabalhos por meio de trovas nem sempre com versos heptassílabos, mas geralmente é esta a medida presente em seus repentes. Embora a Literatura de Cordel e os repentes apresentem características de trovas, os trovadores hoje constituem um grupo específico de poetas.

Movimento cultural em torno da Trova, o Trovadorismo, ressurge a partir de 1950 no Brasil. A palavra foi criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge. O escritor Eno Teodoro Wanke publica em 1978 o livro “O Trovismo”, onde conta a história do movimento de 1950 em diante. Ocorre uma renovação do movimento em 1980, com a criação por Clério José Borges do Clube dos Trovadores Capixabas. Foram realizados 15 Seminários Nacionais da Trova no Espírito Santo e o Presidente Clério Borges já foi convidado e proferiu palestras no Brasil e no Uruguai.

Fontes

www.terradapoesia.cjb.net

www.geocities.com/clerioborges