A Pausa na Poesia


A pausa é o silêncio entre versos ou elementos dos versos. Essencialmente, todo verso pode ser considerado como uma seqüência harmônica de sílabas e pausas. A pausa é parte das estruturas rítmicas e melódicas da composição poética, pois assinala o fim de um período rítmico, e permite o seu reinício no próximo verso.

Cada verso, considerado como um todo, é posicionado entre duas Pausas Delimitadoras ou Externas: a do verso anterior e a sua própria pausa. Excetua-se desta regra o primeiro (cujo limite é o completo silêncio anterior a ele e a pausa ao seu final) e o último verso do poema (cujos limites são a pausa do verso anterior e o silêncio completo que lhe segue). A duração da pausa varia conforme a extensão do verso, podendo até mesmo, dado o processo de encadeamento, deixar existir pausa entre versos.

Dentro de um mesmo verso pode haver Pausas Internas, sendo relevantes em dois casos:

1.       Pausas Necessárias ou Fixas – São as pausas determinadas pela receita do verso ou pela métrica tradicional, devendo ocorrer num mesmo ponto em todos os versos da estrofe. São chamadas também de “Cesuras”. Se ocorrer após uma sílaba breve ou átona, chama-se cesura feminina; se ocorrer após sílaba longa ou tônica chama-se cesura masculina.

“Cantei;  ║ mas se me alguém pergunta quando”, Camões

“é ferida que dói, ║ e não se sente”, Camões

“enquanto não quiserdes vós, ║ Senhora”, Camões

“olhe o céu,  ║ olhe a terra, ║ ou olhe o mar”, Sá de Miranda

2.       Pausas Acidentais – São pausas não necessariamente previstas ou que não tenham posição fixa nos versos, mas alteram consideravelmente o andamento dos versos.

“Não rimarei a palavra sono

com a incorrespondente palavra outono.

Rimarei com a palavra carne

ou qualquer outra, ║ que todas me convêm.”

Carlos Drummond de Andrade  – Consideração do poema

Referência Bibliográfica
Teoria do Verso, Rogério Chociay, Editora MacGraw-Hill do Brasil, 1974, p. 4 e 5; E-dicionário de termos literários http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/P/pausa.htm e http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/cesura.htm.
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4 opiniões sobre “A Pausa na Poesia

  1. Novamente, eu gostaria de parabeniza-lo pelo blog. Muito informativo e com textos de altissima qualidade. Esta entre os meus favoritos.

    Atenciosamente,
    Felipe Carvalho

  2. Olá João!
    Muito bom esse espaço teu aqui. Poderias recomendá-lo Fórum do Recanto das Letras [http://recantodasletras.uol.com.br]; tenho certeza que o pessoal iria gostar.
    Abraços

    Joseph Shafan

  3. A espontaneidade e a tamanha sinceridade não me deixam tempo de pausa a não ser aquele que é ditado pelo bater do coração, e pela respectiva respiração. Assim digo de uma forma que se torne o mais verdadeira e entendível possível. Como disse um grande poeta e escritor, ” a escrita ou as palavras são a melhor forma de tornar a verdade verdadeira ” ( não está completamente transcrito, mas quer dizer exactamente isto ).

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