Despertar


Clara acordou aos poucos, sua vista ainda doendo da luz que entrava pela janela aberta.

Esticou o braço alcançando seu celular que estava no criado-mudo. Tentando focar a vista, leu as horas.

Já passava das oito da manhã, mas não se sentia descansada. Levantou-se a contragosto e ficou um momento sentada à margem da cama.

Esfregou bem os olhos, e, tomando coragem, levantou-se e foi em direção à cozinha.

As canecas estavam perto da cafeteira e Clara pegou duas para colocar na mesa: uma para ela mesma e outra para Ricardo que deveria estar tomando banho.

Mas não havia som vindo do banheiro.

Na verdade, não havia sequer sinal que Ricardo passou a noite no apartamento.

Foi então que a torpeza do sono escorreu de Clara e as lembranças da semana que passara como um vulto em sua mente atingiram-na com uma força violenta.

O acidente, o hospital, o templo, o cemitério. As canecas caíram no chão e estilhaçaram-se.

A escuridão novamente invadiu o coração de Clara e mais um pedaço dela morreu naquele instante.

Anúncios

4 opiniões sobre “Despertar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s